domingo, 25 de janeiro de 2009

Velha Infância-Tribalistas

POEMA


Lua Cheia de Amor




Se amar é dor
Quero ser torturada
Se amar é sofrer
Quero chorar demasiada
Se amar é loucura
Quero ir até a lua


Quero viver lua cheia
De todos sentimentos
Bons e maus, não importa!
Viver em quarto-minguante
É viver um quase...
Um quase inacabado


Quero caminhar nas nuvens
Sentir o seu gosto,
Cavalgar nas estrelas
Estrelas do céu e do mar,
Cheirar o brilho da lua
Sentir no meu tálamo o amor


Lembrar na minha velhice
Do dia em que vi a lua
Cheia de amor pra dar,
E nas minhas gavetas
Tirar as cartas de dor
E dizer pros meus netos
Que não se morre de amor.




Lua Jeniffer



sábado, 8 de março de 2008

POEMA


Água




Dar-se a forma tão atrita
De um elemento sutil
Corres montes, pedras, britas
Como um elemento vil


Tens na alma a natureza!
Nos teus vasos corre ardente
O sangue azul das realezas
Porém verde e inerente


És mais velha que o pecado
Mais jovem que o céu e a terra
Turvas tua cor é amarelo astato
Puras és límpida, duma transparencia que aterra


Tua fonte é inexaurível
Tua experiência inexpugnável
Teu corpo inextinguível
Teu antepassado inescrutável
Tua perda inexcedível
Tua necessidade... inexplicável.




Lua Jeniffer, 2003

CRÔNICA



Interrogações à parte

Por que tenho perguntas que ninguém responde?
Por que alguns humanos matam seus semelhantes?
O que é um homem?
O que é a vida?
O que é?

Vivemos caminhando às escuras, prestes a cair num infinito abismo. Apagamos as luzes com a incerteza de que alguém nos observa na penumbra. Olhamos pela janela com desconfiança, receio de que o ser observado, lá na esquina, seja o causador do nosso sofrimento futuro ou de nossa tortura imediata.
E assim caminhamos por este século abominante, medindo nossos passos com cautela para não pisar no pé de ninguém.
Algumas pessoas acham que Deus não existe, mas creio que sim, que ele existe! Não, não quero introduzir crenças religiosas na cabeça do amigo leitor, este não e o meu propósito, mas a meu ver, se não houvesse um ser supremo que nos confortasse nesse mundo, que muitas vezes duvidamos se é real, acho que enlouqueceríamos!
Nunca sentiste medo de sair de casa? Eu já. Isso acontece quando assisto TV, ouço rádio e leio jornais sobre assaltos, assassinatos, estupros, hipocrisia, políticos...
Às vezes saio de casa, mesmo com medo, afinal, tenho meus afazeres. Todavia procuro ficar invisível na multidão, faço-me não ser notada, procuro o silêncio. Muitos temem o silêncio, mas é besteira, o perigo está nos ruídos, pois são muitos e você não consegue distingui-los.
Creio que o leitor pode está meio confuso nesta crônica; é que ela é um ponto de interrogação, não tem belvederes - e nem sei o que significa isso.
Hoje acordei agoniada por um sonho, depois fiquei na dúvida se era mesmo um sonho ou se era realidade... É assim que nós, seres humanos, nos sentimos diante da vida, não entendemos por que tanto sofrimento, por que morrem inocentes, por que crianças sentem dor, e, oramos todos os dias para acordarmos desse pesadelo. E não é que um dia acordaremos! Acordaremos sim, ninguém dorme para sempre, nem a morte é um sono eterno.
Um dia sonhei que enfrentava o meu sonho! Por mais confuso que o seja, podemos nos impor diante dele; torná-lo agradável ou não nos deixar levar por ele. Às vezes dá certo, às vezes não.
Que custa tentar, tornar a vida melhor, a vida não pára. Um dia você morre e aí? Cadê teu fruto? Não falo de filhos, falo de feitos.
A vida é argila que moldamos... Se deixar ela molda agente.
Viva! Viva bem, amigo leitor! Mas não deixe de se questionar, as respostas um dia virão ou nem precisarão vir... Quem sabe a vida se tornará clara, tão clara como a água, e, as respostas brotarão da terra! Não dizem que água é vida? Pois é!


Lua Jeniffer, 2006

sábado, 23 de fevereiro de 2008

FRAGMENTOS


Aos Cães



O cachorro não é um animal sem sentimentos, o cachorro é um amigo que não trai, que não inveja, que não fere o coração, que nos recebe com a mesma ancia de sempre: rabinho abanando e um largo sorriso nos dentes!
(Lua Jeniffer)



POEMA


Amor, imenso amor


Te amo como um peixe a [água
Como um gaiamum a alva [areia da praia
Como um astrônomo ama as estrelas do céu


Te amo como um caracol a sua carapaça
Como um vampiro ao sangue
Como um médico ao paciente que pulsa
Como um caranguejo ao mangue


Como uma abelha ao seu mel
Como um orvalho a umidade
Te amo de todo meu coração
Com toda a minha verdade!


Te amo como um religioso ao seu deus
Como um poeta a rima que nasce
Como um grego ama a Zeus
Como a donzela o enlace


Te amo por necessidade de amar
Meu amor é louco, doido, é insano!
Sem ti não posso mais respirar
O que resta é assumir que te amo:


Amor tamanho do mundo
Da estrada, da rua, do lar
Um amor que supera tudo
Até as revoldosas do mar!


Amor assim não existe?
Existe! E maior não há
Que me achem assim emoliente
Esta é minha maneira de amar.


(Lua Jeniffer)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

CONTO


Déjà vu

Incrível! Já sonhei com isso, exatamente isso: o eco lendo e preguiçoso da professora de geografia, o ruído irritante e contínuo do ventilador no teto, a sala quase vaga... calada... Estariam eles prestando atenção na lição que a professora nos passava sem ansia, ou estariam eles pensando cada qual nos seus problemas? Talvez estivessem planejando seu futuro ou remoendo o passado ou mesmo vasculhando o vago do cérebro...Calados.
Uma vez ou outra um aluno fazia uma pergunta ou confirmava uma afirmação da professora, com isso se mostrando um ser vivente, quebrando a atmosfera sonolenta e irritante, mas que ruído irritante faz esse ventilador...
Por mais que eu queira entender a explicação, a lição dada naquele momento, pensamentos folgados invadem minha cabeça como parentes pobres e interesseiros.
Os olhos extremamente estáticos, dos habitantes da sala,dão uma ar meio zumbi ao ambiente, tudo parece pacato, calmo...A professora sequer altera seu tom de voz, e o ventilador continua sua interminável rotação...
De repente, para alegria da minha alma, surgi uma mosca! Consigo acompanhar seu trajeto apenas ouvindo o tinir de suas asinhas. Ela pousa na cabeça de alguém, que logo desperta do sonho acordado. Era um rapaz, o mais estudioso da sala, sonhava em ingressar na faculdade para ser alguém na vida, como se não fosse ninguém. Um rapaz tão bonito, divertido até! Mas que pena...Não era ninguém. Ele pede pra ir ao banheiro, a professora faz que sim com a cabeça, e a mosca volta a voar livremente sobre nós. Ela dá uma rasante na minha banca e depois voa perto do ventilador, por um momento desejei sua morte, desejei ver uma tragédia, queria ver a hélice do maldito ventilador escalpelar o inseto! Mas logo passou meu desejo e deu lugar a uma dó, uma dó tremenda da mosquinha, tão pequena, tão sozinha...Um nó fechou minha garganta, meus olhos ficaram úmidos, a professora entoou uma voz diferente para chamar minha atenção e a mosca foi embora.
Enfim, voltou a mesma monotonia, e eu já me esquera de tal sentimento nobre que senti a pouco, não sinto mais nada...Só o barulho do ventilador ainda me incomoda.
Toca o sinal, parece um despertador que nos acorda para mais um dia de vida...Puxa! Ainda é o sinal da primeira aula! Olho o relógio, vou embora, esse ventilador é mesmo irritante.

Lua Jeniffer, 2004